Tudo na vida é efémero, mais tarde ou mais cedo do que pensávamos ou desejávamos tudo se desvanece. Como um sonho que finda ao recordarmos a sensação de sentir de novo a nossa pele, o nosso corpo, as batidas do velho relógio no meio do peito ou o ar áspero e frio a percorrer-nos a alma. Nessa fracção de segundo em que vemos o que somos, num despertar matutino em que o peso do silêncio torna-se demasiadamente insuportável até para o mais simples dos homens.
É esse o momento em que sem queremos, quase que como se fosse um imperativo biológico da própria natureza, encaramos friamente a realidade do que somos. É terrível a sensação, sem hipótese de fuga ou sem a luz ténue de uma esperança no fundo de um abismo que reconhecemos como única morada. Ecoam as vozes nos ouvidos cansados de ouvir, na boca incapaz de proferir palavras de qualquer tipo ou beleza, e assim petrificamos nesse estado entre o tudo e o nada, num limbo em que tudo se esquece e tudo é duramente sentido até ao fim da sanidade quotidiana. Caminhamos entre as trevas e somos as trevas que formam as sombras de nós mesmo, e nesse jogo de luz erguemo-nos no fio de uma navalha onde sacrificamos virtudes e construímos altares a saudade.
Quando tudo parece estranhamente simples, poeticamente vulgar, obscenamente previsível. Pobres seres os que não controlam o destino que se desenha aos seus pés, infelizes crianças que vagueiam sempre sós no labirinto de si mesmos. Perpetuamente presos ao momento em que adormecem e acordam, no ritmo monocórdico da sua sobrevivência. Somos animais. Simples animais que nascem, vivem e morrem. Presos. Amordaçados a ideias, sonhos e utopias. Quebrar as correntes, destruir o que se pensa, o que sente, para que? O que resta no vazio da noite quando a Aurora ainda não chega? Morrer a cada noite, infinitamente…como mortais que sonham ser imortais e que sem saberem, o são no sangue que lhes corre e lhes conta em segredo: nada mais há que não medo, nada mais há que seja vida.
É esse o momento em que sem queremos, quase que como se fosse um imperativo biológico da própria natureza, encaramos friamente a realidade do que somos. É terrível a sensação, sem hipótese de fuga ou sem a luz ténue de uma esperança no fundo de um abismo que reconhecemos como única morada. Ecoam as vozes nos ouvidos cansados de ouvir, na boca incapaz de proferir palavras de qualquer tipo ou beleza, e assim petrificamos nesse estado entre o tudo e o nada, num limbo em que tudo se esquece e tudo é duramente sentido até ao fim da sanidade quotidiana. Caminhamos entre as trevas e somos as trevas que formam as sombras de nós mesmo, e nesse jogo de luz erguemo-nos no fio de uma navalha onde sacrificamos virtudes e construímos altares a saudade.
Quando tudo parece estranhamente simples, poeticamente vulgar, obscenamente previsível. Pobres seres os que não controlam o destino que se desenha aos seus pés, infelizes crianças que vagueiam sempre sós no labirinto de si mesmos. Perpetuamente presos ao momento em que adormecem e acordam, no ritmo monocórdico da sua sobrevivência. Somos animais. Simples animais que nascem, vivem e morrem. Presos. Amordaçados a ideias, sonhos e utopias. Quebrar as correntes, destruir o que se pensa, o que sente, para que? O que resta no vazio da noite quando a Aurora ainda não chega? Morrer a cada noite, infinitamente…como mortais que sonham ser imortais e que sem saberem, o são no sangue que lhes corre e lhes conta em segredo: nada mais há que não medo, nada mais há que seja vida.
2 comentários:
Disarm you with a smile
And cut you like you want me to
Cut that little child
Inside of me and such a part of you
Disarm you with a smile
And leave you like they left me here
To wither in denial
The killer in me is the killer in you
Send this smile over to you
"onde sacrificamos virtudes e construímos altares a saudade"
um abraço de um amigo
deliciei-me na súbtil e intensa forma de escrita onde me revejo e me âncora... a voltar ;)
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