Da última estante da biblioteca do meu pai, um livro com título apelativo olha-me: Orfeu no Paraíso, de Luigi Santucci. Vencedor do prémio Campello em 1967. Folhei-o tentando encontrar nele algum interesse que me prendesse à sua leitura. Quando encontro esta frase: “Só acaba suicida quem não crê no seu passado, não quem não crê no seu futuro”. É uma doce contradição. A maioria das pessoas acredita que o suicida é o fulano sem esperança. Nu de sonhos e projectos. Mas como pode um homem racional ter esperança, quando está consciente das contrariedades e fragilidades do tempo que ainda não se escreveu? Alimentamo-nos dessa esperança, fermentados na utopia de que a imaginação é a visão da alma. A luz que penetra o desconhecido e o revela, amarrando-o a possibilidade do presente.
Concordo com Santucci. O suicida é o que despreza o seu passado. O sentido das suas raízes na alienação do seu presente. Preso a memórias e eternamente perdido na imortalidade da recordação. É doloroso sentir. Mas é mais penoso recordar o que se sentiu, o que se perdeu. Talvez a única fuga a esse jogo perpétuo, seja a morte. Mas já não estará morto aquele que recorda?
3 comentários:
Olá. por favor, acaba o teu livro rapidamente..adoro-te, adoro como escreves, adoro a tua sabedoria. Quero imenso ler o teu livro e mais coisas tuas.Bj
quando alguem reprime o passado, aquilo que sentiu mas nao quer recordar, esta a enlouquecer, nao esta morto já, mas está a morrer aos poucos.mas nunca te esqueças, que a loucura,se bem aproveitada e sabiamente gerida, é um caminho para a genialidade. Vês aquilo que até aí era um turvo nevoeiro. beijo
estou ingratamente preso na ilusão de que tu não fugiste. espero nao estar errado, preciso de ti. estou cansado da superficialidade do meu ser, errante. diz me qualquer coisa, prefiro a verdade à ambiguidade. gosto muito de ti, quero te conhecer,,eu sei que tu me podes ajudar a morrer, por isso..nao hesites. love,...
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