Toda a vida se desenrola num circulo abstracto de ideias e situações que esbarram em nos mesmos com a violência do metal contra a carne, recordando-nos de mais uma prova que ao passarmos nos fará reerguer na certeza absoluta do que fomos e de quem somos. Tu foste a minha prova, mais uma vez. Quebra-se o sentido, rasgam-se as emoções na frieza do raciocínio íngreme e pesaroso construído em madrugadas despidas de ti.
Chamas-te-me altiva com a crueldade de um insulto. E esqueceste-te que é altiva a forma como algumas mulheres se elevam do chão e quebram os agrilhões da sua dependência, da sua servidão. Não sou escrava. Nada em mim treme ao som das correntes que me prendem, apenas a constatação calculada da sua existência e inexistência no último golpe com que me liberto de ti, do teu cheiro e da impressão que imprimes em mim.
É apática a forma como te vejo agora. É indiferente, a constatação da tua existência feita de nadas que no sempre próprio fim são nadas. Condeno em mim tudo o que uma alguma vez vi em ti na ilusão da imagem que transmites aos que te rodeiam. É bom sentirmo-nos fascinados, mas o fascínio tem de nascer de uma fonte íngreme que nos dá vontade de precipitar sobre ele, mergulhar e morrer nele, a tua fonte é seca como a forma que vives. Tu que me ensinaste a viver não sabes viver nem morrer, no medo infantil como sobrevives na atenção que rendem aos teus pés. Iludido que é a ti que te dão atenção quando é apenas ao negro dos teus sapatos, do teu casaco e de toda a parafrenália que ornamenta o teu ego pateticamente masculino.
Na diferença dos anos que nos separam, ensinaste-me apenas que quando chegar a tua idade, jamais desejarei ser como tu. Viver da vida em goles largos de heresia, erguer-me no fio gélido da navalha onde os nossos sonhos se constroem e destroiem mas sempre com a audácia de um mundo inteiro aos meus pés. Sem medo, sem amarras, sem juras ou promessas de amor eterno. Só se pode amar quando se esta despido de amor. Entregar-se é algo profundo mas avassalador, e isso só é possível quando nós temos, quando sabemos quem somos, quando na certeza intensa do frio do punhal que nos atravessa o peito dizemos sim. De peito nu, no abismo de nós mesmos. É preciso como Nietzsche proferia em toques de insanidade, possuir a força das sete solidões para que nos compreendam. E no sangue em que revejo os meus irmãos repugno-te, como banal mortal.
À ti as entranhas do deserto despido de emoções, à ti o desprezo da humanidade vazia, à ti à minha libertação da vulgaridade da anatomia humana. De um mundo que sendo tão teu é o universo dos espelhos em que egos se transformam em máscaras inexpressivas da alienação que é sobreviver no sonho em que se pensa viver. Abençoados sejam os malditos que rasgam em si essa vida e bebem do cálice da morte o sangue dos abençoados. Seja eu digna de beber entre eles, no esquecimento absoluto de ti.
Chamas-te-me altiva com a crueldade de um insulto. E esqueceste-te que é altiva a forma como algumas mulheres se elevam do chão e quebram os agrilhões da sua dependência, da sua servidão. Não sou escrava. Nada em mim treme ao som das correntes que me prendem, apenas a constatação calculada da sua existência e inexistência no último golpe com que me liberto de ti, do teu cheiro e da impressão que imprimes em mim.
É apática a forma como te vejo agora. É indiferente, a constatação da tua existência feita de nadas que no sempre próprio fim são nadas. Condeno em mim tudo o que uma alguma vez vi em ti na ilusão da imagem que transmites aos que te rodeiam. É bom sentirmo-nos fascinados, mas o fascínio tem de nascer de uma fonte íngreme que nos dá vontade de precipitar sobre ele, mergulhar e morrer nele, a tua fonte é seca como a forma que vives. Tu que me ensinaste a viver não sabes viver nem morrer, no medo infantil como sobrevives na atenção que rendem aos teus pés. Iludido que é a ti que te dão atenção quando é apenas ao negro dos teus sapatos, do teu casaco e de toda a parafrenália que ornamenta o teu ego pateticamente masculino.
Na diferença dos anos que nos separam, ensinaste-me apenas que quando chegar a tua idade, jamais desejarei ser como tu. Viver da vida em goles largos de heresia, erguer-me no fio gélido da navalha onde os nossos sonhos se constroem e destroiem mas sempre com a audácia de um mundo inteiro aos meus pés. Sem medo, sem amarras, sem juras ou promessas de amor eterno. Só se pode amar quando se esta despido de amor. Entregar-se é algo profundo mas avassalador, e isso só é possível quando nós temos, quando sabemos quem somos, quando na certeza intensa do frio do punhal que nos atravessa o peito dizemos sim. De peito nu, no abismo de nós mesmos. É preciso como Nietzsche proferia em toques de insanidade, possuir a força das sete solidões para que nos compreendam. E no sangue em que revejo os meus irmãos repugno-te, como banal mortal.
À ti as entranhas do deserto despido de emoções, à ti o desprezo da humanidade vazia, à ti à minha libertação da vulgaridade da anatomia humana. De um mundo que sendo tão teu é o universo dos espelhos em que egos se transformam em máscaras inexpressivas da alienação que é sobreviver no sonho em que se pensa viver. Abençoados sejam os malditos que rasgam em si essa vida e bebem do cálice da morte o sangue dos abençoados. Seja eu digna de beber entre eles, no esquecimento absoluto de ti.
1 comentário:
Beatriz... foi perfeito, se as tuas palavras forem sinceras. So depois de todos os erros aprendemos a ver as mascaras que têm postas. So depois... e mesmo assim é dificil esquecer. por mais revoltante que seja. foi perfeito... ou pelo menos quase perfeito! :)
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